Franquias

As franquias do Distrito Federal alavancam o bom desempenho do setor no Centro-Oeste. O faturamento das redes na capital somou R$ 11,8 bilhões no ano passado, o que corresponde a 91,7% de toda a quantia gerada na região. Mato Grosso aparece na sequência, com R$ 611 milhões. O alto poder aquisitivo dos consumidores, a quantidade de unidades franqueadas e o número de redes próprias são as explicações de especialistas para o peso do DF na área. Os dados são da Associação Brasileira de Franchising (ABF).

A crise econômica atingiu as franquias em menor escala do que em outros segmentos, como indústria, varejo e serviços não franqueados. Embora o crescimento tenha pisado no freio, as redes cresceram. No Brasil, o faturamento dos mais de 138 mil desses estabelecimentos foi de R$ 139,5 bilhões - 8,3% a mais do que em 2014. No DF, o resultado foi ainda mais significativo, com aumento de quase 10%. O fôlego do setor pode estar associado à rapidez com que as marcas responderam à crise.

Na análise de Cláudio Tieghi, diretor de Inteligência de Mercado, Relacionamento e Sustentabilidade da ABF, as franquias têm dois pilares que ajudam a explicar o desgaste menor. Um deles é o fato de o negócio ser em rede. "Isso faz com que o franqueador e o franqueado tenham uma percepção clara e rápida do mercado que muda." Ele acrescenta que o processo de expansão desse setor, em especial para as pequenas e médias cidades brasileiras, também contribuiu para o crescimento do franchising.


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Lucro

Em todo o DF, há 3,4 mil unidades franqueadas e 59 redes próprias. As lojas localizadas na capital do país mostram-se extremamente lucrativas, tanto que, mesmo com número de estabelecimentos menor do que em Goiás - que tem 3,8 mil -, tiveram faturamento 28 vezes maior do que as empresas do estado vizinho. "O DF tem uma oferta maior de franqueadores locais do que os estados do Centro-Oeste. Essas redes locais tendem a crescer em espiral, procurando, primeiro, franqueados mais próximos. Isso ajuda a explicar a expansão", afirma Nadia Nogueira, consultora de franquias do Sebrae do Distrito Federal.

Cláudio Tieghi credita o bom desempenho da capital federal também ao funcionalismo público e à veia empreendedora. "O Centro-Oeste cresce por conta do agronegócio, que não tem crise. O caso específico de Brasília deve-se ao poder aquisitivo de consumidores como os do funcionalismo público. As redes que nascem aqui também ajudam no crescimento do franchising local", detalha.

Planos de expansão

Os empresários Luiz Henrique de Moraes, 39 anos, e Diogo Kleiber Silva, 33, são proprietários do DaHora, focado em refeições para todos os horários. Eles gestaram a marca durante dois anos antes da inauguração, em 2011, em Sobradinho. "Fomos fazer pesquisa de mercado, criar a marca, entender de franquia. Quando começamos, o carro já estava em velocidade boa para guinar", relata Luiz Henrique. Atualmente, a rede conta com sete lojas, sendo três próprias e quatro franqueadas. A próxima inauguração será no Noroeste. Para 2016, os planos são de crescimento de 8% no faturamento e mais 10 estabelecimentos no DF. A ideia é crescer, primeiramente, para cidades que tenham ligação via aeroporto com Brasília. O valor médio da franquia para uma loja de 42 metros quadrados é de R$ 250 mil.

Nos cinco anos de existência, nenhuma DaHora fechou as portas. Para os proprietários, a receita do sucesso é a assistência técnica e a proximidade com o franqueado. Profissionais da marca visitam as unidades toda semana e são abertos a sugestões de fornecedores. "Temos uma preocupação com o franqueado não conseguir tocar (o negócio). Para alicerçar a marca, temos de escolher bem e avaliar se está estruturado", explica Diogo.

Em relação à crise, os empresários acreditam que é possível transformá-la em oportunidade. "Ela nos deu prudência, a gente para, respira e sai da caixinha", ensina Diogo. Luiz Henrique lembra que, há quatro anos, era difícil encontrar ponto disponível no Plano Piloto. Além disso, os aluguéis eram muito altos. O cenário mudou. "É possível encontrar uma boa loja de rua e com preço de locação melhor."

Na análise da consultora Nadia Nogueira, embora a franquia apareça como uma boa opção de negócio, ainda mais em tempos de desemprego, é importante ter cautela e saber se o interessado tem perfil para o negócio. "Não existe mágica. Estamos falando de empresas sujeitas a risco", alerta.

"O caso específico de Brasília deve-se ao poder aquisitivo de consumidores como os do funcionalismo público. As redes que nascem aqui também ajudam no crescimento do franchising local". Cláudio Tieghi, diretor na Associação Brasileira de Franchising (ABF)

"O DF tem uma oferta maior de franqueadores locais do que os estados do Centro-Oeste. Essas redes locais tendem a crescer em espiral, procurando, primeiro, franqueados mais próximos. Isso ajuda a explicar a expansão". Nadia Nogueira, consultora de franquias do Sebrae do Distrito Federal

Alternativas

O que as franquias oferecem como opções para fugir da crise

Franquias pocket
» Oferecer opções mais baratas do que a franquia tradicional

Ampliação de público-alvo
» Pesquisar e cativar outros potenciais consumidores

Grupos de investidores
» Abrir a possibilidade de mais de um investidor na mesma franquia

Produtos pensados para a crise
» Ofertar soluções e produtos diferenciados

Expansão fora do Brasil
» Olhar para outros mercados, além do nacional

orientacões

Confira os passos essenciais para quem deseja franquear a marca

1. Buscar referências sobre a Lei de Franquias no Brasil, jurisprudências, casos de sucesso e de insucesso.

2. Analisar as condições da empresa e posicionamento da marca e dos produtos no mercado

3. Avaliar o mercado e os concorrentes

4. Verificar a viabilidade econômico-financeira da operação

5. Definir o plano de expansão: quantas unidades serão abertas, em quanto tempo e em quais regiões

6. Determinar quais serão os investimentos para pôr em prática o projeto de expansão

7. Desenvolver e formatar as operações de acordo com os padrões técnicos e de qualidade pré-definidos por meio da elaboração de manuais de procedimentos (de gestão, de produtos, de marketing e vendas etc)

Fonte: Correio Braziliense